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Em encontro com representantes de comunidades da zona rural, o candidato defendeu a construção de uma escola estadual e cobrou atendimento às comunidades rurais

Seis comunidades da zona rural de Manaus se reuniram neste sábado (26), na Comunidade do Igarapé do Tiú (a 68km de Manaus) para discutir um problema que afeta diretamente os jovens da região: o acesso ao ensino médio. Moradores do Tiú, Novo Paraíso, Cooperativa Agrícola da Paz, Ramal da Granja e Ramal da Banana, além de outras comunidades da região, participaram do encontro com o candidato a deputado estadual Jender Lobato (Agir), número 36.123. Os relatos sobre a falta de transporte, professores e estrutura no ensino médio evidenciam um gargalo que, segundo o candidato, mostra a ausência do Estado na zona rural.

A principal escola da comunidade, a Escola Municipal Professor Paulo César da Silva Nonato, atende estudantes da rede municipal e integra a Divisão de Educação Rural da Semed Manaus. Segundo a diretora Luciana Mendes de Oliveira, os alunos encontram na rede municipal estrutura com professores, merenda e transporte escolar, inclusive por via fluvial. A dificuldade aparece quando os estudantes chegam ao ensino médio, que é responsabilidade da rede estadual.

“Nossos alunos da Semed saem de um ensino de qualidade, com merenda boa, professores, estrutura, ônibus com ar-condicionado, lancha… para depois serem recebidos em um ensino sem estrutura alguma no ensino médio. Ficam sentados em frente a uma televisão assistindo às aulas”, relatou Luciana.

Segundo a diretora, há 47 alunos matriculados no ensino médio. A comunidade dispõe de três salas com televisores destinados às aulas por mediação tecnológica, mas, de acordo com ela, a transmissão não está funcionando e faltam transporte e professores para acompanhar os estudantes.

“A Seduc colocou as televisões nas três salas de aula, mas não tem transmissão. Temos 47 alunos do EM. E apenas dois alunos em cada sala. Não tem estrutura alguma. Não tem merenda, não tem transporte. É uma televisão e o aluno”, afirmou.

Luciana contou ainda que já procurou a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc) para cobrar uma solução.

“Quantas vezes eu fiquei plantada na frente da Seduc implorando para que nos ouvissem. Eu penso muito nos alunos, não posso deixá-los na mão. A gente não tem nenhum parceiro no governo do Estado”, disse.

O apelo chegou diretamente ao candidato: “Jender, hoje nós precisamos de você. Precisamos de verdade de você”, afirmou a diretora.

Dificuldade para dar continuidade aos estudos

O problema do transporte também foi relatado por Graça, moradora ribeirinha, estudante da EJA e mãe de dois filhos no ensino médio. Segundo ela, um dos filhos está no 3º ano, mas não consegue frequentar as aulas.

“Queremos ver você fazer por nós. Eu tenho um filho no 3º ano que não vem à escola. Você imagina que ele não vê um professor, vai se formar no ensino médio sem ter vindo ao colégio”, relatou.

Graça também demonstrou preocupação com a continuidade dos estudos dos filhos e netos.

“Se você não ajudar a gente, nossos filhos não terão onde estudar. Eu não quero ter que mandar meus filhos, meus netos para a capital”, afirmou.

Para Dalvacy, presidente da Comunidade do Tiú, a educação representa uma possibilidade de transformação para os moradores. Diante da família, ela relacionou a própria trajetória à importância do acesso ao ensino.

“A educação salvou a minha vida”, disse.

Segundo Dalvacy, idosos da comunidade também passaram a ter acesso à alfabetização. “Hoje os idosos da comunidade estão aprendendo a ler e a escrever. Hoje existe uma luz de esperança para o Tiú”, afirmou.

Os relatos levaram Jender a falar sobre a experiência de ter deixado Parintins aos 16 anos para estudar em Manaus. Segundo ele, a mudança significou ficar longe dos pais e morar na casa de parentes.

“Eu sei o que é a dor de um pai, de uma mãe, de ter que mandar o seu filho para longe de casa para estudar. Sabe por quê? Porque eu sou fruto disso. Eu tive que sair de Parintins para vir para Manaus, para estudar”, afirmou.

Jender também criticou a dificuldade de levar serviços e estruturas públicas para comunidades fora da área urbana e disse que a população da zona rural precisa ser considerada nas decisões do poder público.

“Compromisso é isso. É você saber atender as demandas de quem precisa. Eu sei da dificuldade de quem não mora na capital”, declarou.

Compromisso com a educação

Diante dos relatos, Jender afirmou que pretende buscar, por meio de emendas e articulação política, a construção de uma escola estadual na comunidade para atender os estudantes do ensino médio.

“Eu quero firmar um compromisso de ir com as minhas emendas de deputado estadual, com a emenda da Aryel, de deputado federal, e, se Deus quiser, com o fundo do governador, nós vamos construir uma escola estadual aqui na comunidade do Tiú”, afirmou.

A proposta, segundo o candidato, tem o objetivo de evitar que os jovens precisem deixar a região para concluir o ensino médio.

“Dona Graça, a senhora não vai mais ter a preocupação de mandar os seus filhos lá para o centro, porque eles vão estudar o ensino médio aqui, um professor aqui, uma escola aqui, se Deus quiser”, disse.

Enquanto uma nova unidade não for construída, Jender afirmou que pretende cobrar da Seduc a oferta de professores e transporte escolar.

“Enquanto a escola não for construída, nós vamos para a Seduc. Se for preciso, vamos cobrar até atender a comunidade. Nós vamos mandar professores para cá”, declarou.

Responsabilidade com a comunidade

Durante o encontro, o vereador Jander Lobato, irmão do candidato, também lembrou sua atuação na comunidade. Segundo ele, quando conheceu a região, a escola municipal funcionava em uma estrutura de madeira e não tinha climatização. O vereador afirmou que acompanhou as obras até a entrega da unidade e participou da pavimentação da área em frente à escola.

“Esse é o meu papel como vereador: levar dignidade para a vida das pessoas. Os professores precisam ter dignidade para dar aulas”, afirmou.

Ao finalizar, Jender disse que pretende levar para a Assembleia Legislativa a cobrança por serviços públicos também nas comunidades rurais.

“Eu não quero estar aqui com vocês só na época de eleição. Eu quero ser a extensão do trabalho que o meu irmão já faz”, declarou.

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