Mais do que projetar edifícios, fachadas e formas, a arquitetura contribui para transformar a maneira como as pessoas vivem e ocupam a cidade. Na capital amazonense, projetos de arquitetura e urbanismo desenvolvidos pela Prefeitura de Manaus, por meio do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), ajudam a transformar espaços públicos, recuperar áreas, valorizar o patrimônio histórico e criar novos locais de convivência para a população.

Neste 5 de outubro, Dia Mundial da Arquitetura, a prefeitura destaca o trabalho de arquitetos e urbanistas que atuam no planejamento e na transformação da capital amazonense.

Para o diretor-presidente do Implurb, Antonio Peixoto, os profissionais têm participação fundamental nesse processo. “Estou aqui para parabenizar todos os arquitetos de Manaus e do mundo e dizer da importância que você, arquiteto e urbanista, tem no planejamento urbano de Manaus e de todo o Brasil”, afirmou Peixoto, destacando a atuação dos profissionais que integram o corpo técnico da autarquia.

#paratodosverem – Diretor-presidente do Implurb, Antonio Peixoto,

A data é celebrada pela União Internacional dos Arquitetos (UIA) na primeira segunda-feira de outubro, em conjunto com o Dia Mundial do Habitat. A celebração aproxima a arquitetura das discussões sobre planejamento urbano, qualidade de vida, sustentabilidade, habitação e desenvolvimento das cidades.

Para a arquiteta e urbanista Aida Diogenes, que atua há mais de dez anos na análise de projetos, a arquitetura exerce uma função estratégica no desenvolvimento de Manaus. “Como arquiteta e urbanista que trabalha há mais de 10 anos na análise de projetos, entendo que a arquitetura tem um papel estratégico no planejamento e no desenvolvimento de Manaus, porque não se limita à criação de edifícios. A arquitetura está presente no dia a dia do cidadão e contribui diretamente para a qualidade de vida, segurança e bem-estar da população”, afirma.

Obras estruturantes 

O planejamento arquitetônico também precisa considerar as características ambientais da capital. “Por meio de um bom planejamento arquitetônico, é possível criar moradias mais confortáveis, espaços públicos acessíveis, ambientes com melhor iluminação e ventilação e edificações adequadas ao clima quente e úmido da cidade”, completa a  arquiteta e urbanista Aida Diogenes.

Esse olhar para as pessoas também está no centro da arquitetura contemporânea, segundo o arquiteto e urbanista Pedro Paulo Cordeiro, vice-presidente do Implurb. Para ele, a qualidade de um projeto não está apenas na estética, mas também na forma como o espaço é percebido e utilizado por quem vive, trabalha ou circula nele.

“Na arquitetura contemporânea, o principal papel da arquitetura são as pessoas: como os espaços vão refletir nelas e como elas poderão se sentir bem, seja na moradia, no trabalho ou no lazer. A arquitetura não envolve apenas a questão estética, mas também a funcionalidade. Quando bem elaborada, contempla esses conceitos e contribui diretamente para o bem-estar das pessoas”, destacou.

Esse trabalho pode ser percebido em diferentes regiões de Manaus, em projetos que passaram a integrar o cotidiano da população. Entre as áreas públicas entregues pelo Implurb estão a Casa de Praia Zezinho Corrêa, o mirante Lúcia Almeida, o píer Manaus 355, o parque Gigantes da Floresta, o parque linear Amazonino Mendes, o Largo de São Vicente e o Casarão Thiago de Mello.

No centro histórico, as intervenções recuperaram espaços e criaram novas possibilidades de uso e convivência. Antes, havia o vazio e o abandono. Hoje existem ali o mirante Lúcia Almeida, o Largo de São Vicente, o píer e o Casarão Thiago de Mello, que integram esse processo de valorização da região central, aproximando patrimônio, paisagem e ocupação urbana.

Em outras áreas da capital, parques e equipamentos públicos ampliaram a oferta de espaços de lazer e convivência. O parque Gigantes da Floresta, entre as zonas Norte e Leste, incorporou elementos da fauna e da flora amazônicas ao projeto, sendo visitado por milhões de pessoas desde a inauguração, enquanto o parque linear Amazonino Mendes reúne lazer, paisagismo e recuperação urbana no entorno do igarapé do Mindu.

A própria sede do Implurb, no Parque Mosaico, também é apontada por Pedro Paulo como exemplo de uma arquitetura pública que pode dialogar com a paisagem e romper com modelos convencionais de repartições. “A sede do Implurb chama a atenção justamente por sair daquela linguagem que as pessoas imaginam que deve ter a cara de uma repartição pública. É possível desenvolver prédios públicos de outra maneira, utilizando diversos tipos de materiais que se harmonizam e contribuem para a questão estética, enquanto dialogam com o entorno”, afirmou.

Para o arquiteto e urbanista Victor Marques, a arquitetura e o urbanismo têm uma função que ultrapassa a construção física dos espaços: “Arquitetura e urbanismo são muito mais do que construir espaços. São instrumentos para transformar a cidade e melhorar a vida das pessoas”, disse.

Projetos em execução

A capital também mantém projetos em execução, como o Parque Encontro das Águas Rosa Almeida, o Aquário Manaus, a intervenção na rua Ferreira Pena e o Casarão de São Vicente.

O Parque Encontro das Águas Rosa Almeida, na zona Leste, tem como referência uma proposta originalmente concebida pelo arquiteto Oscar Niemeyer para a área do encontro dos rios Negro e Solimões. O projeto foi atualizado pelo Implurb, incorporando soluções de engenharia, acessibilidade e arquitetura, ampliando a proposta para um parque urbano.

#paratodosverem – Parque Encontro das Águas Rosa Almeida em obras


Na rua Ferreira Pena, no centro histórico, a intervenção envolve a requalificação urbana e a valorização do patrimônio, enquanto o Casarão de São Vicente integra o conjunto de imóveis históricos que passam por obras de recuperação.

O trabalho dos arquitetos e urbanistas está presente tanto na análise e licenciamento de projetos quanto na elaboração, planejamento e acompanhamento de intervenções que modificam a paisagem urbana.

Niemeyer

A arquitetura brasileira tem em Oscar Niemeyer um de seus maiores expoentes. Ao falar sobre o processo de criação, o arquiteto deixou uma frase que atravessou gerações: “De um traço nasce a arquitetura. E quando ele é bonito e cria surpresa, ela pode atingir, sendo bem conduzida, o nível superior de uma obra de arte”.

Em Manaus, esse traço precisa dialogar com características muito particulares: o clima quente e úmido, a presença dos rios, a floresta, a paisagem amazônica, a história e o patrimônio, além das necessidades de uma população que vive em uma cidade em permanente transformação.

“Uma cidade bem planejada não apenas cresce, ela evolui”, finalizou o arquiteto e urbanista Victor Marques. É nesse encontro entre desenho, território e pessoas que a arquitetura deixa de ser apenas projeto e passa a fazer parte da vida da cidade.

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Texto – Cláudia do Valle /Implurb
Fotos – Vitoria Lira /Implurb e Antonio Pereira/Semcom

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