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	<title>Governo federal prepara reforma administrativa &#8211;  Portal IF3M</title>
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		<title>Governo federal prepara reforma administrativa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Da Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Oct 2024 22:59:26 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Últimas Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Governo federal prepara reforma administrativa]]></category>
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					<description><![CDATA[Uma das propostas é mudar lei criada há 57 anos O governo federal pretende fazer]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Uma das propostas é mudar lei criada há 57 anos</p>



<p>O governo federal pretende fazer uma&nbsp;ampla reforma administrativa, com a construção de uma nova legislação que venha substituir o&nbsp;<a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del0200.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Decreto-Lei nº 200/1967</a>. O decreto foi&nbsp;instituído durante a ditadura cívico-militar (1964-1985) e que ainda hoje “dispõe sobre a organização da administração federal.”<img decoding="async" src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?id=1616216&amp;o=node"><img decoding="async" src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?id=1616216&amp;o=node"></p>



<p>O propósito, segundo o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI), é tornar a legislação compatível com a Constituição Federal.</p>



<p>Para isso, o MGI e a Advocacia Geral da União (AGU) criaram uma comissão formada por mais de uma dezena de especialistas, entre juristas, servidores públicos, pesquisadores e acadêmicos.</p>



<p>O grupo tem até abril de 2025, doze meses após a instalação da comissão, para elaborar a proposta de revisão do decreto-lei.</p>



<p>Além da encomenda na alteração do decreto, já com 57 anos, o MGI editou em agosto uma&nbsp;<a href="http://https//www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-mgi-n-5.127-de-13-de-agosto-de-2024-578207466" target="_blank" rel="noreferrer noopener">portaria</a>&nbsp;fixando diretrizes das carreiras do serviço público (Portaria MGI nº 5.127).&nbsp;A norma estabelece princípios e orientações gerais que os órgãos públicos deverão seguir para apresentar as suas propostas de reestruturação de cargos, carreiras e planos.</p>



<blockquote class="wp-block-quote">
<p>“Ela é o primeiro instrumento normativo desde a Lei 8.112 de 1990”, enfatiza José Celso Cardoso Jr., secretário de Gestão de Pessoas do MGI, em referência ao&nbsp;<a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8112cons.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Estatuto do Servidor</a>.</p>
</blockquote>



<p>Em entrevista à&nbsp;<strong>Agência Brasil</strong>, Cardoso Jr. confirma que “o governo federal já está fazendo uma reforma administrativa na prática.” Segundo ele, a reforma está “em ação” desde 2023 e ocorre “por meio de uma série de medidas de natureza infraconstitucional e incremental que já vem sendo adotadas, para melhorar a estrutura e as formas de funcionamento da administração pública.”</p>



<p>Para o secretário, iniciativas somadas como o concurso público nacional unificado e a realização do dimensionamento da força de trabalho, para quantificar e definir os perfis mais adequados de servidores, e as novas normas para aperfeiçoamento da política nacional de desenvolvimento de pessoas “configuram uma reforma administrativa já em andamento.”</p>



<h2>PEC 32</h2>



<p>A realização da reforma administrativa foi anunciada pela&nbsp;<a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2022-12/governo-eleito-fara-nova-reforma-administrativa-informa-transicao" target="_blank" rel="noreferrer noopener">equipe de transição do atual governo</a>&nbsp;em dezembro de 2022. Na avaliação de especialistas, a reforma em andamento é mais abrangente do que a<a href="https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2262083" target="_blank" rel="noreferrer noopener">&nbsp;Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 32</a>,&nbsp;apresentada em setembro de 2020 ao Congresso Nacional, e chegou a ser aprovada em comissão especial da Câmara dos Deputados, mas que não foi levada à votação no Plenário por falta de apoio.</p>



<p>“Politicamente, era uma coisa que não fazia sentido ali”, opina o cientista político Leonardo Barreto que acompanha o dia a dia do Parlamento há mais de duas décadas.</p>



<p>A professora e pesquisadora no Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), Michelle Fernandez, assinala que a PEC 32 “nasceu obsoleta” e “tem um objetivo estritamente fiscal, de diminuição de gastos. Portanto, não olha para a atuação do Estado. A existência do servidor público é para atender a sociedade e colocar de pé políticas públicas.”</p>



<p>“A PEC 32 trata dos funcionários públicos. Olha para uma pequena fatia do funcionamento do Estado”, opina Sheila Tolentino, pós-doutora em Ciência Política, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e integrante da comissão de especialistas que discute a legislação para substituir o Decreto-Lei nº 200. Segundo ela, o país precisa fazer a reforma administrativa “olhando para o serviço que é entregue à população.”</p>



<p>Representantes dos servidores públicos ouvidos pela Comissão de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados no final do ano passado alertaram aos parlamentares que a PEC 32 poderia afetar a impessoalidade das contratações na administração pública, terceirizar carreiras permanentes em áreas como saúde, educação e assistência social, e dificultar as investigações de casos de corrupção que hoje são apurados por servidores com estabilidade.</p>



<h2>Contas públicas</h2>



<p>Entidades empresarias, como a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), defendem que a PEC 32 poderia&nbsp;<a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2024-10/cnc-pede-reforma-administrativa-para-barrar-avanco-da-divida-publica" target="_blank" rel="noreferrer noopener">gerar economia e impactar na diminuição da dívida pública</a>.</p>



<p>Para o sociólogo Félix Garcia Lopes Jr., pesquisador do Ipea, visões fiscalistas de setores empresariais partem de premissas erradas, como, por exemplo, a de que ocorre aumento de gasto público com servidores.&nbsp;</p>



<p>“A trajetória ao longo do tempo mostra que nunca tivemos crescimento excessivo do número de servidores ou inchaço da máquina pública. Isso está documentado”, diz o pesquisador, citando dados do&nbsp;<a href="https://www.ipea.gov.br/atlasestado/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Atlas do Estado Brasileiro</a>&nbsp;(Ipea),<a href="https://periodicos.fgv.br/cgpc/article/view/83013" target="_blank" rel="noreferrer noopener">&nbsp;estudo&nbsp;</a>da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e&nbsp;<a href="https://www.oecd-ilibrary.org/governance/panorama-de-las-administraciones-publicas-america-latina-y-el-caribe-2024_0f191dcb-es" target="_blank" rel="noreferrer noopener">análise recente</a>&nbsp;da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).&nbsp;</p>



<p>Os dados nesses estudos mostram que há no Brasil cerca de 11 milhões de servidores públicos, menos de 13% do número de trabalhadores do país. Proporção menor do que dos países mais desenvolvidos que formam a OCDE (20,8%).</p>



<p>Seis de cada dez servidores brasileiros trabalham para&nbsp;as prefeituras&nbsp;(6,5 milhões de funcionários públicos). Três de cada dez servidores têm vínculo com os governos estaduais (3,4 milhões de funcionários).</p>



<p>O maior contingente de servidores municipais e estaduais é formado por professores, profissionais da saúde e o pessoal da segurança pública, três categorias que fazem atendimento direto à população.</p>



<p>O restante de servidores públicos, 1,2 milhão de pessoas, é&nbsp;ligado&nbsp;à União, desses 570 mil estão na ativa. No nível federal, o maior contingente é de professores universitários. Os maiores salários estão concentrados no Poder Judiciário e no Poder Legislativo. Nos últimos cinco anos, diminuiu o número de servidores federais civis.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://imagens.ebc.com.br/85uxrx8kGRqwXvE-mNfWYfFbzWw=/754x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2024/10/20/grafico_reforma_administrativa.png?itok=tiJrAtgG" alt="gráfico reforma administrativa " title="Agência Brasil"/></figure>



<h2>Visões concorrentes</h2>



<p>Félix Garcia aponta para “um certo paradoxo” nas percepções coletivas da sociedade brasileira. Há visões concorrentes como a de que “o Estado pode estar muito grande, inchado, e que a burocracia é excessiva” e ao mesmo tempo que os cidadãos “querem mais serviços públicos, mais médicos, mais professores, querem mais políticas de bem-estar.”</p>



<p>“Nesses episódios de crise, como vimos na pandemia, fica evidente quão central é a burocracia pública para atacar problemas coletivos”, acrescenta Michelle Fernandez, do Instituto de Ciência Política da UnB. Ela lembra que as empresas privadas também demandam uma administração pública bem estruturada.</p>



<p>“A burocracia nasce associada à necessidade de racionalidade econômica do setor privado, porque ela permite previsibilidade.”</p>



<p>De acordo com Sheila Tolentino, pesquisadora do Ipea, por trás&nbsp;das medidas em discussão no governo não está “uma simples redução de gasto&#8221;.</p>



<p>&#8220;O corte, em si, não traz os ganhos necessários para o futuro. O que precisamos construir para o futuro? Capacidade. Isso é o que precisamos construir”, resume.</p>



<p>Na próxima quinta-feira (24), em Brasília, a comissão de especialistas que discute a legislação para substituir o Decreto-Lei nº 200 se reúne para discutir inovação e controle na administração pública. O evento poderá ser acompanhado <a href="https://www.gov.br/agu/pt-br/composicao/secretaria-geral-de-consultoria-1/revisao-do-dl-200-67/eixo-d">em tempo real</a>.</p>



<p>Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2024-10/governo-federal-prepara-reforma-administrativa </p>
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