Durante sessão na Câmara Municipal de Manaus (CMM), o vereador Jander Lobato chamou atenção para a necessidade de ampliar o debate sobre a violência contra a mulher e alertou para o problema da vitimização secundária, quando a própria sociedade responsabiliza a vítima pela agressão sofrida.

Ao abordar o tema, o parlamentar apresentou dados recentes que apontam que 1.518 mulheres foram assassinadas no último ano, a maioria delas vítimas de feminicídio cometido por parceiros ou ex-companheiros.

Segundo Jander, os números evidenciam a urgência de discutir não apenas o combate à violência, mas também a forma como as vítimas são tratadas socialmente.

“O debate sobre a violência contra a mulher precisa ir além das estatísticas. Muitas vezes, além da agressão física e psicológica, essas mulheres ainda enfrentam o julgamento social, que acaba reforçando o ciclo de violência”, afirmou o vereador.

Durante o pronunciamento, o parlamentar criticou duramente comentários que costumam circular no senso comum, como a ideia de que a mulher “apanha porque gosta” ou que “é parecida com o agressor”.

Para Jander Lobato, esse tipo de discurso contribui para culpabilizar a vítima e dificulta ainda mais que mulheres em situação de violência busquem ajuda.

O vereador também ressaltou que, em muitos casos, permanecer em um relacionamento abusivo não é uma escolha, mas uma consequência de fatores como dependência emocional e financeira.

“É preciso compreender que muitas mulheres permanecem nesse ciclo de violência porque enfrentam uma realidade de dependência econômica, responsabilidade com os filhos e dificuldades para ingressar no mercado de trabalho”, explicou.

De acordo com o parlamentar, a situação é ainda mais complexa quando essas mulheres são responsáveis pelo cuidado de três ou quatro filhos, o que torna a decisão de romper o relacionamento ainda mais difícil.

Jander Lobato defendeu que o poder público e a sociedade precisam fortalecer a rede de apoio às vítimas, garantindo não apenas assistência emergencial, mas também condições para reconstrução da autonomia dessas mulheres.

“O papel da sociedade e das instituições é orientar, acolher e oferecer caminhos para que essas mulheres tenham dignidade e perspectivas de vida. Não podemos falar apenas de sobrevivência. Precisamos garantir vida longa, segurança e respeito”, concluiu

Texto e Foto: Divulgação

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